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COSMOPOLITA: Entenda o que é e como foi descoberta a nova cepa da dengue em Goiás

COSMOPOLITA: Entenda o que é e como foi descoberta a nova cepa da dengue em Goiás

access_time 2 semanas ago

CEPA COSMOPOLITA DA DENGUE FOI IDENTIFICADA EM APARECIDA DE GOIÂNIA (FOTO: REPRODUÇÃO/FIOCRUZ)

Gabriel Neves

Em meio ao aumento de casos de dengue em Goiás, chamou a atenção a recente descoberta da variante do tipo 2 do vírus que causa a doença, em Aparecida de Goiânia. Trata-se da primeira vez que a cepa cosmopolita, como foi batizada, é identificada em território brasileiro. Até então, só havia relatos da circulação da variante no Peru e em outros países da Ásia, África e também no Oriente Médio.

A identificação da cepa em território goiano ocorreu a partir de pesquisas de sequenciamento genético realizadas pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A variante da dengue foi mapeada em uma amostragem coletada em 29 de novembro de 2021. A confirmação só veio meses depois, na primeira quinzena de fevereiro. Os detalhes constam no artigo científico veiculado pelo portal MedRxiv, revista eletrônica que publica trabalhos acadêmicos na área da ciência e da saúde.

A dengue tem quatro variações (1, 2, 3 e 4), sendo que as mais comuns registradas em Goiás são as duas primeiras. É a partir do tipo 2 que surgiu a nova cepa cosmopolita. Isso significa que cada categoria já conhecida do vírus possui as suas linhagens, ou seja, os genótipos específicos que geram um estado de constante monitoramento por órgãos de saúde públicos e privados.
“A atual epidemia de dengue, no entanto, não está vinculada a este novo genótipo”, explica Vinicius Lemes da Silva, diretor geral do Lacen-GO ao jornal. O laboratório — que teve papel importante em Goiás no início da pandemia da covid-19 — entende que o trabalho mais pontual que realizam está no sentido de tentar estabelecer uma certa previsão sobre o futuro no campo da saúde com base nos estudos, sequenciamentos e pesquisas feitas dentro de um contexto epidemiológico.

Vinicius Lemes da Silva, diretor geral do Lacen-GO (Foto: Reprodução/Acervo Pessoal)
Como a cepa já foi notificada em outros países, não é difícil prever sua atuação no Brasil. “A dengue em si não é como a covid-19, que ninguém sabia como iria se desenvolver. A dengue é estudada há muitos anos e já existe um perfil sorológico desenhado da população brasileira que permite observar o que pode ou não ocorrer por aqui”, afirma o diretor.
Gravidade e cuidados 
“É sabido que o mosquito, como vetor da doença, precisa de umidade e calor para se reproduzir. Pode ser que por isso a doença seja predominante em países tropicais”, explica Vinicius. “Nós entendemos a dengue pelo que conhecemos. E na dengue tipo 2 há um desenvolvimento maior de casos graves. A gente observa que essa nova cepa pode se manifestar [de forma] ainda mais grave.”
O diretor geral do Lacen-GO reforça, porém, que a essência do laboratório é a pesquisa. “Aqui nós trabalhamos com sequenciamento, o que não significa que seja um diagnóstico final. Ou seja, se trata de um acompanhamento da evolução de doenças como a dengue”, diz. Segundo ele, não tem como decretar ou prever, neste momento, que Goiás enfrente um cenário pior por causa da variante cosmopolita. Tudo deve depender de como se comportará a variante no Estado.
Apesar disso, Vinicius explica que os sintomas da nova variante são os mesmos da “dengue comum” e que, quando observados pelo indivíduo, devem ser imediatamente reportados à unidade de saúde. A orientação principal é que se mantenha os mesmos cuidados que sempre foram postos à sociedade. Neste sentido, o Lacen e a Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES-GO) recomendam que não deixem acumular água parada, que é lugar de reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, e se utilize roupas que cubram boa parte do corpo, por exemplo.
Números da dengue em Goiás
Segundo o boletim epidemiológico da SES-GO, até o último 1º de maio houve um aumento de 301% de notificações sobre a doença em todo o Estado, se comparado ao mesmo período do ano passado. Para se ter uma ideia, nas 17 primeiras semanas de 2021 foram 22.319 casos confirmados, ante 66.753 registrados em 2022.

Infográfico da SES-GO mostra comparativo de casos de dengue de 2015 até 2022 (Foto: Reprodução/SES-GO)
A quantidade de óbitos causadaos pela doença também subiu. Durante todo o ano de 2021, Goiás teve 33 mortes. Nos quatro primeiros meses de 2022, o número já chega a 25. Há, ainda, 124 casos em investigação.
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